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Sabrina Abreu - Ragga
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Ana Slika
 

 Marcondes Falcão Maia nasceu no interior do Ceará. Aos 11 anos, sua família saiu de Pereiro, no interior do estado, em direção à capital, em busca de uma vida melhor que demorou a chegar. De Fortaleza, mais tarde, o pai caixeiro viajante seguiu sozinho para São Paulo, onde formou uma nova família. Foram 20 anos de distância. A oportunidade do reencontro veio quando Falcão, já famoso no alto do Brasil, estava a ponto de conquistar o Sudeste. Apesar de seus pontos tristes, o jeito de a história ser contada é, quase o tempo todo, engraçado. O humor era de se esperar, porque foi com ele que Falcão ficou famoso, lançou oito álbuns, lotou shows e apareceu em programas de auditório com um girassol na lapela do paletó.

Se o tom de sua fala, vez ou outra, fica sério, é para falar do orgulho que tem por ter se tornado arquiteto na Universidade Federal do Ceará, de como o Nordeste é maltratado pela mídia e do reencontro com o pai, que morreu em 1995. Na entrevista exclusiva concedida à Ragga em seu escritório, no bairro paulistano do Tatuapé, ele falou da breguice de um jeito fora do óbvio. Como artista, Falcão respeita igualmente suas referências, que incluem Bob Dylan, Núbia Lafayete, Fagner, Caetano Veloso, Waldik Soriano, Machado de Assis, João Ubaldo Ribeiro. Para ele, breguice não é mau gosto. E mau gosto é ter preconceito.


VOCÊ É O MAIS ILUSTRE CIDADÃO DE PEREIRO?
NÃO ERA. Mas agora acho que sou, sim. Pereiro é uma cidade meio sui generis. Antes de mim, tinha um cara que, no final da década de 1970, realmente aproveitou a propaganda eleitoral na TV para se eleger. Ele não tinha nem um centavo, fez sucesso no espaço que deram a ele na TV e foi eleito com votação recorde. O professor Moraes é conhecido até hoje.


QUAL ERA O SE U SONHO DE GAROTO, QUANDO VIVIA NO INTERIOR?
TINHA AQUELE SONHO que todo mundo tem, de me dar bem na vida. Mas sonho de ficar famoso, não. Só veio depois, na adolescência. Em Pereiro, minha preocupação era jogar bola na rua, fazer estripulia pela cidade, que era muito pequena. Lá todo mundo se conhecia. Era um paraíso.


VOCÊ ERA O MAIS ALTO DOS MENINOS?
ESTAVA COMEÇANDO A SER. Mas dois eram mais altos do que eu. Pereiro tem outra peculiaridade: lá tem muita gente alta. Uma cidade de uns 10 mil habitantes [15.447, segundo o IBGE], dá para fazer um time de basquete com mais de 1,90m, com certeza [risos].


COMO FOI SE MUDA R PARA A CAPITAL AOS 11 ANOS?

FUI COM A FAMÍLIA toda para Fortaleza. Em Pereiro, não tinha condição. Nessa época, quem quisesse fazer, além do curso fundamental da escola, o segundo grau – como se chamava naquele tempo – tinha que se mudar para a capital. Meu pai era comerciante, dono de uma farmácia. Vendeu o negócio e fomos embora para Fortaleza. Nesse tempo, quase todo mundo saía do Nordeste.


QUAL LEMBRANÇA VOCÊ TEM DO DIA NO QUAL CHEGOU EM FORTALEZA?
PARA VOCÊ TER UMA IDEIA, foi quando conheci energia elétrica. Vi uma lâmpada acesa na minha frente. Até então, nunca tinha visto televisão. Imaginava como era, porque tinha visto cinema. Pensava que a TV fosse algo maior, quando vi o tamanho real, fiquei meio decepcionado [risos].


QUAIS ERAM SE US ÍDOLOS NESSA ÉPOCA?
ERAM OS WESTERNS DO CLINT [Eastwood], Jonh Wayne. O que rolava no interior era cowboy.

 

 

Divulgação
 
 

 


E ESSES NOMES SE JUNTARAM A QUAIS OUTROS ATÉ SER CRIADO O PERSONAGEM FALCÃO?
MINHA IDOLATRIA COMEÇOU COM A MÚSICA. A gente ouvia muito Beatles, Roberto Carlos, Erasmo. Era o comecinho da Tropicália, de Caetano e Gil. Depois, quando mudei de cidade, conheci os Rolling Stones, Bob Dylan, Jimi Hendrix. Fui me influenciando pelo rock e também pela música nordestina. Fagner, Belchior, Zé Ramalho e Alceu Valença estavam começando. Viraram meus ídolos, no começo da década de 1970. E foi uma coisa que misturou com os bregas que meu pai ouvia — Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Waldick Soriano, Núbia Lafayete. Ele curtia música italiana e brega mexicano como o Trio Los Panchos, que fez com que no interior do Brasil o pessoal gostasse tanto de bolero. Meu pai talvez fosse o único cara que tinha uma radiola, em Pereiro.


ENTÃO, ERA UMA FAMÍLIA ABASTADA?
ERA ABASTADA, mas não para a capital. A farmácia que foi vendida não valia nada em Fortaleza. Eu era uma criança criada numa chácara e fui morar num apartamento de dois quartos na capital. Não só o nível social, mas também o espaço físico diminuiu bastante. Foi um baque. Antes, morávamos num casarão, desses do século 18 ou 19, cada cômodo era [equivalente a] três apartamentos daquele no qual a gente foi morar. Depois, ficamos quatro irmãos e meus pais num apartamento de 50 m² que era uma tragédia.


E COMO ISSO AFETOU SEUS PAIS?
MINHA MÃE SOFREU MUITO. Mas percebi mais o sofrimento do meu pai. Ele era um homem do interior e também gostava de criações de animais. Não conseguiu ficar totalmente na capital, e virou um caxeiro viajante para trabalhar pelo interior. Fiz algumas viagens com ele, aos 11 para 12 anos. Eram viagens de um mês. A gente ia num jipezão antigo, as estradas eram horríveis, fazia uma maratona, igual Indiana Jones. Era legal, porque sempre gostei dessa história de descobrir a geografia brasileira, descobrir as cidades. Acho que foi por isso que depois virei arquiteto, gosto de urbanismo. Nessas viagens, comecei a me situar.


QUANDO VOLTA A PEREIRO, VOCÊ PERCE BE QUE O ÊXODO RURAL CONTINUA OU AS PESS OAS TÊM SAÍDO MENOS DE LÁ?
SEMPRE VOLTO e vejo que tem diminuído. O pico do êxodo foi a década de 1980. Em São Paulo, havia bairros com população de pessoas de Pereiro maior do que na cidade natal: digamos que houvesse 5 mil habitantes na sede e, na filial [risos], em bairros como Pirituba e Santo Amaro deviam ter 6 ou 7 mil. Mas isso está mudando, porque em São Paulo o emprego está difícil. E o Nordeste tem dado oportunidades. Para quem trabalha em turismo, principalmente, há mais oportunidades em Fortaleza do que em São Paulo. O problema do interior hoje, em todas as cidades, é a violência. Hoje em dia, em Pereiro tem traficante de drogas, sequestro. A TV e a internet fazem isso. A tal da lanhouse é uma outra praga moderna [gargalhadas]. A inclusão digital por meio da internet é um problema por isso: cria a ilusão de que para ser Ronaldinho não precisa estudar. Mas a TV e a internet não dizem que no Brasil deve ter 10 mil jogadores de futebol passando fome e só o Ronaldinho e o pessoal da turma dele que está ganhando bem. Pensam que, para ser artista, não precisa estudar, nem precisa ter talento. Pensam que é fácil.


VOCÊ DIZ QUE SE R ARTISTA NÃO É FÁCIL. COMO VOCÊ CONSEGUIU?
SOU EXCEÇÃO À REGRA: foi fácil [gargalhadas]. Queria ser famoso, mas não sabia como. Como sempre gostei muito de ler, passou pela minha cabeça ser escritor, mas a preguiça não deixou. Quando comecei a me entrosar com o pessoal da capital, entre os 13 e 16 anos, apareceu um violão na minha frente e aprendi a tocar, como meus irmãos também, sem ninguém ensinar. A gente fez até uma bandinha. Foi assim que comecei a compor, já nesse estilo muito doido. Fui escrevendo e guardando. Nos meus discos tem muita coisa dessa época. Minha paixão pelo desenho também começou na adolescência. Antes de fazer vestibular, pensei que teria que fazer alguma coisa na qual aproveitasse minha arte “desenhística”. Fui para a arquitetura. O curso era – e ainda é – muito difícil. Só tinha uma faculdade no Ceará, a Federal. E eram 20 vagas para 3 mil candidatos. Falei: “Vou fazer. Não tem dessa, não”. Trabalhei num escritório de arquitetura enquanto fazia cursinho. Lá pelo meio da faculdade comecei a mostrar minhas composições e tive uma recepção melhor, porque o pessoal era mais irreverente. Eu era do Centro Acadêmico e a gente fazia o projeto Cinco e Meia. Nele, quem quisesse podia apresentar uma peça de teatro, tocar violão ou fazer qualquer coisa no palquinho da faculdade. Toquei minhas músicas e o pessoal achou muito legal. No final do curso, apareceu um concurso do Banco do Nordeste. Só poderia se inscrever quem tivesse um parceiro que trabalhasse no banco e, por coincidência, meu maior parceiro até hoje, o Tarcísio Matos, era bancário. Ele inscreveu umas músicas, o pessoal da faculdade ficou sabendo e foi torcer por mim. Eu já tinha feito uns ensaios de entrar fantasiado de brega, com paletó. No festival, defendi uma música que se chamava Canto Bregoriano número 2 — que está no primeiro disco. O público delirou, mas o júri deu zero. Por conta desse zero, o público se revoltou e quis quebrar o lugar. Aí, [os organizadores] falaram o seguinte: “Ninguém pode ir contra a decisão do júri, mas vamos lhe chamar para tocar no dia do encerramento”. Toquei na final. Eles fizeram um disco com as 12 músicas vencedoras e a 13ª era a minha. Entrei de gaiato [risos].


NESSA ÉPOCA, O PLANO ERA SE DEDICAR À MÚSICA OU À ARQUITETURA?

NÃO QUERIA MÚSICA, não. Junto com outros colegas abri um escritório. E o pessoal continuava dando corda. Em 1988, me convidaram para um show só meu no bar Piratas, na véspera do Natal. Eu já tinha 30 ou 31 anos. O Natal brega foi a maior onda na cidade. Depois, todos os bares da cidade começaram a me convidar para fazer show. Fazia no fim de semana e durante a semana ficava no escritório. Como só cantava músicas minhas, o pessoal começou a fazer fitas piratas e vendê-las pela cidade. Arranjei um empresário, que disse que eu tinha que gravar um disco. Fiz o primeiro, que tinha I’m not dog no. As mil cópias não deram nem para começar. Os turistas levaram para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas. Aí estourou o Falcão no Brasil todo. Um dia, em 1991, o Beto Barbosa me disse que ia mostrar para uma gravadora — eu tinha aberto um show dele. Quinze dias depois, o cara da gravadora ligou, dizendo que queria me contratar: “Venha ligeiro para São Paulo”. Não sabia andar em São Paulo. Depois disso, o Jô ficou sabendo. Isso tudo em um mês. Lancei o disco em março de 1991 e em junho já era Falcão em qualquer lugar do mundo, já tinha assinado com a Continental, ido ao Silvio Santos, Faustão. Tudo depois do programa do Jô, que foi ao ar na mesma segunda-feira em que gravei.

 

 

Ana Slika
 

 


O NORDESTE É TRATADO COM PRECONCE ITO PELO SUDESTE E PELA GRANDE MÍDIA?
É UMA COISA MEIO VELADA. Mas existe preconceito. Agora mesmo, estou meio puto, porque até no futebol existe isso. O Ceará está no primeiro lugar da tabela do Campeonato Brasileiro
empatado com o Corinthians [na segunda semana de julho] e não há nada falando disso nos jornais paulistanos.


ACHA QUE SE FOSSE O GRÊMIO, QUE É DO RIO GRANDE DO SUL, SERIA DIFERENTE?
SE FOSSE O GRÊMIO teria outro espaço, com certeza. Fora essa história de que as pessoas já olham para um nordestino na rua pensando que é ladrão. Eu mesmo sofri — não tanto porque já cheguei aqui famoso e muito alto, com 1,93m pouca gente sabia que eu era cearense. Mas quando comecei a dizer que era cearense algumas pessoas da mídia começaram a ficar com o pé atrás. Depois que eu disse que era arquiteto foi que melhorou. Fui ao programa da Marília Gabriela, e ela perguntou se eu tomava banho. Depois disse: “Qual sua instrução?”. Quando falei que era arquiteto, mudou tudo.


DÓI ISSO?
NÃO TANTO POR MIM, mas dói pelos meus irmãos nordestinos que têm uma vida tão difícil e o pessoal ainda fica com preconceito. Semana passada publiquei [um post] no meu blog sobre um excomungado que tem uma comunidade no orkut chamada “Odeio nordestino”. Inclusive, há um tópico sobre as enchentes em Pernambuco e Alagoas, com camaradas dizendo: “Esses cabeça chata vão vir tudo para São Paulo tirar o emprego da gente, virar ladrão, fazer favela”. Fiz minha defesa lá. É tudo brasileiro, trabalhador e tem condição de alcançar várias posições. Sou exemplo disso: não precisa ser sulista para ser inteligente.


E A POLÍTICA: QUANDO O LULA GANHOU, VOCÊ SE NTIU UM MOMENTO MEIO OBAMA, DE TER ALGUÉM DA MINORIA NO PODER?
O LULA É OUTRO EXEMPLO de alguém que sofre um preconceito danado. Muita crítica que ele recebe é só por ser nordestino, não ter um dedo e não ter feito curso superior. Ele foi muito melhor como presidente do que pensei que seria. Não por ele, porque é um cara inteligente e competente. Mas pelo partido, pensei que o PT atravancaria o governo dele — e de certa forma foi, com aquela confusão do mensalão. E ele saiu muito melhor do que os outros presidentes também. Mas, ao falar de presidente nordestino, os preconceituosos se preocupam muito mais em lembrar do Fernando Collor do que do Lula e esquecem que o Collor é burguesia e foi criado no Rio de Janeiro.


O CORONELISMO LHE INCOMODA?

NA ÉPOCA DA FACULDADE, a luta da política estudantil, da qual fiz parte no C.A [Centro Acadêmico] de arquitetura, era derrubar os coronéis. Mas foi pior, porque conseguimos derrubá-los. Todo mundo votou no Tasso Jereissati e hoje em dia o coronel é o Tasso Jereissati.


E VOCÊ SOFREU COM A DITADURA?
SOFRI, porque meu pai foi preso. Em 1964, ele era comerciante, mas já tinha sido candidato a prefeito por um partido do Getúlio Vargas. Quando veio a revolução [golpe militar], vieram prendendo todo mundo. Meu pai passou um mês na cadeia. Mas as primeiras prisões que os militares fizeram, os presos eram tratados como se estivessem de férias e fossem passar uns dias no hotel. Em compensação, minha mãe se separou do meu pai e casou com outro cara, que, em 1979, foi preso, torturado e tudo. Até hoje ele é um dos anistiados da ditadura.


COMO FOI QUANDO SUA MÃE CASOU DE NOVO?
MEU PAI SE SEPAROU DA MINHA MÃE em 1971, eu tinha 14 anos, e foi para São Paulo. Em 1991, quando gravei e assinei o contrato com a Continental, foi a primeira vez que revi meu pai. Ele veio para trabalhar, arrumou outra mulher, teve outros filhos. Fiquei 20 anos sem encontrá-lo. Mas nunca tive mágoa dele, eram coisas de marido e mulher. E ele tinha que ir para São Paulo, precisava sobreviver. Uns amigos de São Paulo falaram: “Sua vida vai melhorar aqui”. E melhorou mesmo. Ele trabalhou vendendo carro. Como fui assinar o contrato com a Continental, liguei para ele. Não tinha muita expectativa, mas fiquei um pouco emocionado, porque em 20 anos uma pessoa muda muito. Saiu de Fortaleza com 40 anos e eu o vi com 60, estava um pouco estragado [risos]. Ao mesmo tempo, ele levou susto com meu tamanho. Conheci os meus irmãos que viviam aqui. Convivemos pouco, porque em 1995 meu pai morreu. No primeiro show que fiz em São Paulo ele me viu. E foi o único show no qual ele me viu.


NO GERAL, A MÚSICA BREGA TEM ESSA COISA TRISTONHA, DO AMOR NÃO CORRESPONDIDO, DA DOR DE COTOVELO. COMO VOCÊ RESOLVEU FAZER DISSO UMA COISA ENGRAÇADA?
FOI QUASE SEM QUERER. Era por causa da minha situação, mesmo. Fui um cara meio triste, adolescente sem perspectiva no campo amoroso, porque eu era muito feio. Pensei: “Pois não vou ficar triste, vou fazer sacanagem”. E essa irreverência é muito nata do Ceará e da minha família. Quando comecei a compor, uma das primeiras coisas que me deu esse toque foi “Eu não sou cachorro”, não, um cara que fez uma coisa que não era tão chorosa. Resolvi traduzir a letra.


SE NÃO TINHA NAMORADA, SUA INICIAÇÃO SEXUAL FOI NUM PUTEIRO?
TEVE A COISA DO PUTEIRO DEPOIS. Mas lá no interior, sempre que voltava para passar férias em Pereiro, tinha umas primas [risos]. A iniciação foi por aí. Fui muito atrasado nisso, só fui namorar aos 20 anos. Mas achei bom ser retraído porque fiquei tocando meu violão, fazendo música, enquanto o pessoal ia para a balada.


É FRUSTRANTE FICAR SEM CONTRATO COM UMA GRAVADORA?
FIQUEI MEIO TRISTE, porque era mal acostumado na BMG. Lancei cinco discos e ela é uma das maiores gravadoras do mundo. Na época, a gravadora te colocava no meio do burburinho da mídia. Hoje não mais, se você estiver na Sony, por exemplo, ela só faz isso por alguns. Na época, era porteira aberta mesmo. Chegava a ponto de eu conhecer programadores de rádio, no interior, por exemplo, que recebiam salários de R$ 20 mil por mês das gravadoras para tocar certos artistas. Era muita grana, depois foi secando por causa da pirataria. Hoje, nem é muito rentável para o artista ter uma gravadora, porque ela, além de não dar aquela assistência de antes, quer ter participação na renda do show, no cachê do artista.


O RICK BONADIO ESTÁ PRODUZINDO SE U PRÓXIMO CD . COMO FOI ESSE ENCONTRO?
ESSA É OUTRA HISTÓRIA MUITO LEGAL. Lembra aquele primeiro show em SP que meu pai assistiu, em 1994 e que lhe fez chorar [risos]? Rick Bonadio estava lá também, com o Dinho dos Mamonas Assassinas. O Dinho tinha visto um show meu no Aeroanta, saiu de lá e fez a música para mim [Mundo animal]. “Comer tatu é bom” [canta]. Queria mandar para eu gravar, mas o Rick disse: “Que mandar que nada. Grava com a voz dele”. E foi assim. Até hoje tem gente mais desavisada que pensa que essa música é minha. Desde essa época o Rick queria fazer alguma coisa comigo. Dezesseis anos depois a gente se encontrou.


QUAL SUA EXPECTATIVA?

EM MÚSICA NÃO SE PODE TER MUITA EXPECTATIVA. Tanto pode dar certo como pode não dar. Mas, graças a Deus, tenho um público permanente numa faixa de 100 mil pessoas que sempre compram meus discos, e com certeza, devo atingir isso aí.