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O Tempo

Após negociar com o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), o Governo de Minas anunciou nesta quarta-feira (19) que vai mudar o foco e pretende discutir as reivindicações da categoria diretamente com a comunidade escolar. A secretária de Estado de Educação, Vanessa Guimarães, disse em entrevista coletiva concedida no Palácio das Mangabeiras que o sindicato não está repassando as propostas reais aos professores nas assembleias. “Fizemos ajuste de datas, composição de comissão, isso foi negociado pela representação sindical e para nosso espanto e perplexidade não houve o encaminhamento dessa proposta na assembleia. O que está nos preocupando agora é dar o máximo de informação e esclarecimento à comunidade escolar”.

A expectativa do governo era de que o impasse fosse resolvido nessa terça-feira (18), como confirmou o governador Antonio Anastasia. “Esperávamos, conforme as negociações, que houvesse uma decisão. Mas, com surpresa, percebemos que a proposta do governo nem foi levada à discussão”. Ele ainda reforçou que desconfia do real propósito do movimento. “Estamos cada vez mais percebendo que se alastra o reconhecimento que o propósito dessa greve tem uma natureza política”, declarou.

A secretária de estado de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, reforçou que vai manter diálogo com outros setores do próprio setor educacional. “Não é o sindicato o único interlocutor que temos legítimo na área do setor educacional. Então temos que manter. Por exemplo, vamos fazer reuniões com diretores para ouvi-los e para esclarecer também como proceder”.

Durante a entrevista, Vilhena se mostrou surpresa com a decisão dos professores de manter a greve. “Não entendemos o que aconteceu na assembleia. O governo acatou uma proposta que foi encaminhada por escrito pelo próprio sindicato. Eu tenho o e-mail do sindicato que me encaminhou por escrito e eu respondi, por escrito, acatando a proposta que eles fizeram”. Entre as concessões feitas pelo governo, foram descatadas “a criação de um grupo de trabalho com representatividade do sindicato para que se possa fazer a revisão da estrutura remuneratória de toda a carreira da Educação, não somente dos professores”. Segundo Vilhena, foi proposto apenas um ajuste no prazo, que passou de 20 dias para 30 dias.

A realização de concurso público em junho também foi reivindicada pela categoria. “Nós propusemos em julho, que é o prazo que nós temos para concluir toda a proposta e fazer o lançamento do edital. Pediram ainda a certificação dos diretores de escolas e que o processo fosse até dezembro, o que nós aceitamos”, completou Vanessa Guimarães.

Nessa terça-feira (18), os professores da rede estadual decidiram manter a greve que já dura 40 dias, depois de uma tentativa de negociação com o governo do Estado. Na ocasião, a secretária de estado de Planejamento e Gestão afirmou que o governo foi surpreendido pela decisão e alegou que cedeu em todos os pontos de reivindicação, mas dentro dos limites suportados pela secretaria. Apesar disso, durante a entrevista coletiva, Renata Vilhena descartou demitir os grevistas. “Começar a demitir é uma questão que não se coloca nesse momento. Estamos examinando toda a legislação existente e não queremos que ninguém seja surpreendido, ou que possa alegar que não sabia de uma série de circunstâncias. O governo não está querendo usar isso como ameaça”, finalizou.

Procurada pela reportagem de O TEMPO Online, a coordenadora geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, garantiu que todas as assembleias são gravadas e que as propostas são repassadas aos professores. “O governo nos passou um documento às 13h e, depois que mantivemos a greve, chegou em nossas mãos um novo documento completamente diferente que será analisado e discutido na próxima assembleia”, explicou. A nova reunião da categoria está marcada para a próxima terça-feira (25). Cerqueira reafirmou que o sindicato tem interesse em manter o diálogo com o governo do Estado.

Após o anúncio da continuidade da greve, o governo divulgou que estudava a possibilidade de fazer uma folha de pagamento suplementar aos grevistas, mas a medida foi suspensa com a decisão tomada pela categoria. No vencimento do mês de maio, os professores não vão receber pagamento.