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O Tempo

Os profissionais de educação da rede pública estadual decidiram ontem, em assembleia, não acatar a ordem do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que no último dia 4 determinou a suspensão imediata da greve, que hoje completa 27 dias.

Essa é a paralisação mais longa dos últimos sete anos no Estado. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) recorre da decisão, que estabeleceu pagamento de multa diária de R$ 10 mil. Por causa do recurso, a entidade não fez o pagamento da multa, ontem.

Segundo a coordenadora do sindicato, Beatriz Cerqueira, o sindicato está disposto a arcar com a cobrança já que não abre mão das reivindicações de melhorias salariais. "Cumprimos os requisitos do direito de greve. Os danos vão ser reparados na medida em que repusermos as aulas", argumentou.

A Secretaria de Estado da Educação (SEE) não quis se manifestar sobre o assunto e, por meio da assessoria de imprensa, informou apenas que espera que a decisão da Justiça seja cumprida.
O diretor da Federação das Associações de Pais e Alunos das Escolas Públicas de Minas Gerais (Fapaemg), Mário Assis, reclamou da decisão dos professores. "Não cabe a mim questionar os direitos do Estado e dos servidores, mas quero que meus filhos possam voltar à escola", disse.

Conceição Ferreira, 49, é auxiliar de serviços gerais da Escola Estadual João Belo de Oliveira, de Carangola, Zona da Mata mineira, e viajou quase 8h para participar da assembleia de ontem. "Dessa vez resolvi aderir à greve até o fim porque tenho vergonha das nossas condições de trabalho", disse. No seu contracheque, ela apontou que seu salário-base é de 330,75. "Recebo 517,72 porque eles usam meu quinquênio para inteirar".

O governo alega que o piso em Minas é de R$ 850 para 24 horas semanais, enquanto o do país é de R$ 1.024,62 para 40 horas. Ainda segundo o governo, a categoria já foi contemplada com os 10% de reajuste dados ao restante dos servidores. Uma nova assembleia está marcada para a próxima terça-feira.